Olho
para os rastos que vou deixando ao longo da minha caminhada, são marcas
impostas por uma época de inocência, quando corria pelos atalhos das minhas
fantasias; dos extemporâneos desejos da infância, que energizavam o meu corpo
para realização dos meus sonhos, inconscientemente fugindo da dor da realidade
do desconhecido.
Assim, vou percorrendo às estradas que
me foram determinadas a seguir mundo afora. Momentos, que me perdi e de repente,
me encontrei, entre às flores que perfumaram os meus sorrisos no abstrato dos
meus sentimentos, dos amores que pela minha vida passaram e que se encantaram no
horizonte das recordações adormecidas no meu pensamento, pelo pranto que
umedeceu os meus olhos no aceno que marcou os momentos das renúncias que tremularam
nas minhas mãos, quando a sensação do adeus aportou no meu coração.
Procuro na distância as minhas pegadas e
vejo que aos poucos elas vão sendo encobertas pela poeira de um tempo, que vai me
transportando em seus braços, então contemplo o espelho da minha vida e
descubro às rugas que juventude deixou para que eu nunca esqueça que ela pela
minha vida passou. Vivi os seus encantos, fui parceiro das suas aventuras e não
percebi que ela era tão fugaz e breve partiria da minha vida, tantas foram às
vezes que nos encontramos pelas manhãs de primavera perfumando o meu corpo com
a essência das suas flores; das madrugadas de inverno me aquecendo do frio da
solidão; das tardes ensolaradas de verão, contemplando a singular beleza do vai
e vem das ondas do mar; dos encantos das suas noites de outono desnudando a
minha alma das adversidade do mundo, preparando-a para uma nova roupagem de
sentimentos; das boemias ébrias das suas madrugadas me enfeitiçando com às suas
enamoradas luas.
De repente, não mais que de repente ela
se foi e eu não percebi à sua despedida, mas às suas lembranças ficaram
registradas em cada canto da minha existência.