De repente, mais que de repente olhei no
espelho e para minha surpresa não me encontrei. Vi um rosto que insistia em refletir
que não era o meu, Era o retrato de
alguém que eu nunca havia conhecido, procurei nas minhas lembranças de onde o
conhecia, mas foi em vão, por mais que tentasse me lembrar quem era não
conseguia. No entanto, algo no seu rosto me era familiar, o brilho do seu
olhar, um sorriso franco que a todos conquistava. Um semblante que irradiava a
paz, um olhar que parecia perdido contemplando o horizonte distante. Refletindo
um sentimento puro que parecia ser saudade dos tempos jubilosos que passaram em
épocas felizes.
Mais onde eu me encontrava naquela época de
sonhos e fantasias. Fiel discípulo das noites e madrugadas profanas vagando pelos
bares dos amores que surgiam no reflexo de um luar feiticeiro que inebriava
nossas mentes e nos conduzia pelos caminhos dos boêmios aventureiros. Mas onde
eu estava? por onde andava? Procurei nas mesas dos bares noturnos,
encontrei tantos amigos, retratos em preto e branco, que eram próprios daquele período romântico, sempre acompanhados pelas modelos da noite, fascinantes como os desejos proibidos
de um tempo sem preconceitos; onde o príncipe regente da orquestra tinha o
codinome de amor.
A brisa maviosa que soprava do mar açoitava
nosso rosto num terno carinho nos despertando para a vida. Tentações que
surgiam das mesas aleatórias dispostas ao ar livre, iluminadas pela luz prateada
de um luar conivente com às paixões proibidas e tentadoras que cruzavam os
caminhos dos seus súditos ébrios pecadores perdidos num mundo de tantas
ilusões.
Por mais que eu me prucurasse não conseguia
me encontrar. Procurei nos meus vídeos sem sucesso. Como era possível eu estar
num mundo lúdico aventureiro e não me achar perdido em algum lugar.
Resolvi folhear o álbum das minhas lembranças
e então me encontrei nas páginas amareladas de um passado, um olhar cobiçador das
boemias cercado pelas flores de um tempo que passou e me levou junto com ele.
Foi então que me encontrei e entendi o porquê dos desencontros, eu já não era o mesmo de antigamente, contemplei o trajeto que tinha percorrido, e em cada canto da minha caminhada, meus passos foram ficando marcados, eu pertencia a uma outra geração, havia envelhecido.