sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

ALMAS QUE SE ENCONTRAM (CRÔNICA)

 

     O tempo passou e levou consigo parte da minha existência, momentos lindos que vivi e que jamais esquecerei, pois cada um deles representaram um seguimento da felicidade que me abraçou, quando me sentia sem alento, caminhando pelas estradas invisíveis da minha vida, tentando achar o caminho da volta. Ainda pulsa em mim, aquele olhar que me contemplou quando eu tentava encontrar um novo ponto de partida para seguir à minha caminhada; que me fez acreditar no belo reflexo de um luar que guiou os meus passos pelos logradouros que para mim já eram desconhecidos, e na verdade eram os trajetos que eu havia percorridos. 

     Ainda nos encontraremos na inocência de um amanhecer, quando os raios do príncipe dourado, surgirem por traz dos montes e lhe despertar para iniciar uma nova trilha do seu destino, quem sabe se não estarei na esquina da vida aplaudindo você passar.

     Ou talvez, serei aquela maviosa brisa acariciando o seu rosto no tênue adeus de um entardecer, e Deus me dê a inspiração para que eu possa escrever a mais bela das minhas poesias, ao contemplar toda a singeleza do seu belo semblante. Deusa das tardes que se despede dos seus súditos, levada pela magia de um crepúsculo divino.

     Será que o nosso encontro será no reluzir das atrações noturnas quando os desejos aflorarem da minha memória, despertando minhas ilusões e fantasias, que estavam adormecidas no berço do meu passado, e que de uma maneira ou de outra deixou em mim às suas marcas. 

     De repente, será quando a melancolia das madrugadas aportar no horizonte, anunciando o fim do seu reinado, que o seu fascínio logo será desfeito, e as damas protagonistas do espetáculo da sedução dos amantes se encantarão em meio a névoa dos prazeres fictício.

       Não sei quando, mas algo dentro mim diz que ainda nos veremos pelos atalhos da nossa permanência, cavalgando pelas paragens desse plano, onde às almas se encontram.