Não sei
se conseguirei conciliar os sonhos do passado e a realidade do presente, são
momentos distintos, mais repletos de emoções, onde as pulsações do meu coração evidenciam
as de uma adolescência que passou mais que deixou saudades. O tempo passa mais
algumas lembranças ficam guardadas para sempre.
16 de fevereiro de 1958, nascia em Natal,
capital do Rio Grande do Norte, Oscar Daniel Bezerra Schmidt, Oscar Schmidt,
foi nessa terra, bonita por natureza e abençoada por Deus, que ele deu os
primeiros passos rumo ao cenário do sucesso no mundo do basquetebol.
Foi aqui onde tudo começou, na sua infância
foi aluno do Colégio Salesiano São José, a sua trajetória se evidenciava não só
pelo seu talento em quadra, mas, sobretudo, pelos valores que sempre
transmitiu: perseverança e respeito com todos que compartilhavam com a sua
presença na instituição. Onde encerrou o seu ciclo aos 13 anos. Na escolinha da
AABB, Associação Atlética Banco do Brasil, em suas quadras, iniciou à sua
caminhada vitoriosa rumo ao ápice do esporte mundial.
Fui contemporâneo dessa época, morávamos próximos,
mas não tive o prazer de conhecê-lo, foi por muito pouco, tanto ele como eu éramos
fascinados em jogo de botões e certa vez, um amigo falou-me a respeito dele.
Sempre muito humilde nunca negou suas origens,
era apaixonado por Natal e sempre que tinha oportunidade, falava da saudade que
tinha da sua infância na cidade que o Senhor escolheu para que ele viesse ao
mundo.
No ano 2016, foi emocionante quando aqui
esteve conduzindo a Tocha Olímpica das olimpíadas do Rio de Janeiro, recepcionado
por uma verdadeira multidão. Transcrevo um comentário que ele fez no auge do sentimento
que o dominava naquele momento.
“É a maior emoção da minha vida.
Conduzir a tocha na minha cidade Natal, ao lado da minha mulher, do meu filho,
da minha mãe, dos meus amigos e de toda a população, é simplesmente
sensacional. Já conduzi a tocha em outras ocasiões, mas essa é extremamente
especial. Se você parar para pensar, é só você no mundo inteiro, em alguns
minutos, que está com a Tocha Olímpica - contou após o revezamento, emocionado.”
Em 2024, foi
o convidado de honra do SESC, para abertura dos jogos dos comerciários, jamais poderíamos
imaginar que ele veio se despedir da sua amada cidade.
Foi um dos
maiores da história do basquete mundial, tornou-se o maior pontuador do mundo
com 49.973 pontos, em 1615 partidas, fato este somente superado no ano de 2024 por
LeBron James. Sempre que alguém o chamava de Mão Santa, ele corrigia, Mão Treinada.
Participou de 5 olimpíadas. Um dos
momentos marcantes de sua carreira foi a conquista do ouro no Pan Americano de
1987, em Indianápolis, Estados Unidos, quando marcou 46 pontos na vitória
contra a Poderosa seleção Norte Americana.
Recusou contratos
milionários para participar da NBA, tamanho era o seu amor pelo Brasil, pois se
aceitasse não poderia mais jogar pela seleção brasileira. Mesmo assim, foi reconhecido pela National
Basrtball Associaton (NBA), como um dos maiores jogadores do basquete do mundo.
Encerrou
sua carreira profissional em 2003, aos 45 anos, atuando pelo Flamengo, mas
queria transmitir toda a sua experiência adquirida na vida. Consolidou-se como
um dos palestrantes mais requisitados do circuito corporativo brasileiro,
abordando temas como superação, disciplina, liderança e trabalho em equipe.
Em 2011, foi surpreendido com o diagnóstico de
um tumor cerebral, passou por cirurgia e quimioterapia, em 2022, declarou ter
vencido aquela etapa da doença e optou por interromper o tratamento e passou a dedicasse
a família.
No último dia 17/04/2026, o mundo acostumado a comemorar as suas vitórias foi surpreendido com a notícia que jamais queríamos tomar conhecimento. Ele acabara de converter sua última cesta, nos deixando órfão do seu talento. É uma lenda eternizada nos anais do basquetebol mundial e no coração do povo brasileiro.
Hoje, você é uma estrela cintilando no belo
firmamento da cidade que tanto lhe amava, Natal.
Que o Senhor o receba na sua infinita glória!
Descanse em paz!
REI DO BASQUETE MUNDIAL!
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